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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Mês do Terror #4 - Visitor Q (Bijitâ Q) [18+]

Bom, antes de mais nada, vou traçar um brevíssimo comentário sobre esse "coisa" que tive que assistir recentemente. Tive a ideia de começar esta tag do Mês do Terror para me testar e poder reconhecer o que realmente me perturba tanto nos filmes do gênero. Sou extremamente medroso e as pessoas que me acompanharam em minhas tentativas frustradas estão de prova, além de eu já ter comentado sobre isso no post inicial da tag. Enfim. Resolvi sair em uma jornada pelas interwebs à procura de filmes "perturbadores", recomendados para pessoas de estômago forte e que são censuradíssimos ou polêmicos.
Visitei sites e encontrei 11 filmes, sem ler sinopses e nem nada (o que provou ser um erro fatal) e dei uma chance para os longas. Achei até mesmo interessante o fato de ver filmes, taxados como pesados, sem saber de nada deles. Foi o que fiz.
Porém, fui EXTREMAMENTE trollado pelas profundezas da internet e acabei escolhendo por assistir Visitor Q, acreditando ser um filme de terror. Vai nessa! O filme, simplesmente, é o MAIOR WTF DA HISTÓRIA!!! Bizarrézimo e totalmente sem noção, acho que ri muito mais do que me espantei (é, tem cenas espantosas DEMAIS) e achei um filme muito ridículo.
Vou "não recomendar" ao final do post, mas também faço isso agora. NÃO PERCAM SEU TEMPO VENDO ESTE FILME! FIQUEM LONGE!! Mas se você for alguém que gosta de filmes japoneses bizarros e sem sentido, assista. Vai que gosta...
Enfim, chega de comentar e vamos falar sobre o filme em si. Não vou me alongar muito, pois seria muito tempo esculhambando e não seria uma coisa legal.

Visitor Q (Bijitâ Q, no Japão) é um filme de comédia/drama/psicológico/"horror"/trash (na verdade, é difícil encontrar um gênero para esse filme), dirigido por Takashi Miike, o mesmo diretor de Dead or Alive e Audition. Foi transmitido, inicialmente, em 17 de Março de 2001, no Japão. Rotulado como a última parte de seis do que seria conhecido como uma série de Love Cinema - série japonesa produzida pelo Cine Rocket, consistindo em seis filmes independentes e de baixo custo -, Visitor Q tornou-se o mais conhecido de todos e foi o mais reconhecido pelo IMDB, tendo uma incrível nota de 6,9 (fiquei boquiaberto com isso). O filme tem um caráter científico e, até mesmo, prático extremamente fortes e torna-se a principal ideia dele, desenvolvendo um plano de fundo interessante, mas, infelizmente, explorada de um modo bastante estranho. A ideia de Visitor Q baseia-se no teorema de Pier Paolo Pasolini, diretor de filmes italiano, além de ser escritor, poeta e um intelectual das décadas de 50-70. Sua ideia consistia na família, com foco na problemática, levando um estranho a visitá-la e encontrar os erros, identificando-os e, discretamente, alterando, aos poucos, a estrutura familiar. Trata-se da ideia da sedução, onde o visitante seduz e conquista todos os membros familiares, sem revelar sua identidade, apenas permanecendo na casa por uns dias, destacando a sexualidade e a descoberta de sentimentos e de sensações.
De forma bizarra, Takashi busca retratar a crise familiar de classe média que existia na época. A partir daí, é construído um cenário de uma família totalmente quebrada e sem nenhuma estrutura, exaltando as características apelativas que parecem fazem parte do sangue dos japoneses: a perversidade e os infinitos problemas.
De início, conhecemos os membros. Kiyoshi Yamazaki é o pai, que é viciado e trabalho e está desenvolvendo uma reportagem que promete ser chocante, mostrando a realidade do mundo sexual e violento nas cidades japonesas. Ele acaba se tornando uma pessoa obcecada por esse "furo" e usa, de maneira apelativa e incestuosa, respostas e argumentos para ser utilizados em sua matéria, mantendo relações sexuais com sua própria filha. Além disso, o pai presencia os constantes ataques e agressões que seu filho, Takuya, sofre de colegas da escola, e vê nisso uma oportunidade de ganhar reconhecimento para sua reportagem.
Como se já não bastasse o pai e a filha (esta que fugiu de casa para ser garota de programa), Takuya sofre de distúrbios mentais e agride ferozmente sua mãe sempre que sente a necessidade disso. A mãe, passiva, apenas aceita as agressões e já as trata como situações do cotidiano, apenas preservando o seu rosto e implorando o seu filho para que não o ataque. A mãe é outra louca (se não a maior), que não vive e não recebe amor na vida, tornando-se uma mulher fechada e submissa à todas as judiações e agressões que possam vir a ocorrer.
Até que, um dia, do nada (sério, DO NADA MESMO), um estranho acerta uma pedrada em Kiyoshi e, a partir daí, "invade" sua casa se declarando ser um convidado - já que, por conta da pedrada, o pai acaba apenas aceitando o fato do rapaz desconhecido ser um visitante - e convive normalmente com todos os membros da família como se realmente fosse um deles, almoçando, tendo liberdade de ir e vir, e dialogando naturalmente com todos.
O que a família não sabe é que o estranho visitante não está lá apenas para ocupar mais um lugar na casa, mas está para reativar os instintos amorosos escondidos, há tempos, na mente de cada um dos Yamazaki e, consequentemente, irá mudar toda a estrutura familiar que, há bastante tempo, foi esquecida entre aquelas pessoas.
Como já disse antes, a história é até mesmo agradável, se encaixando em um drama real familiar. A ideia é boa (se tivesse sido bem tratada) e merece até mesmo um destaque científico, já que faz referência a um estudo real. E então fica a pergunta: qual a polêmica de tudo isso?
Bom, nesse filme realmente tem de tudo. Incesto, necrofilia, bizarrices, violência extrema e gratuita, obscenidades e nojeiras que só podiam surgir da mente de Takashi Miike. Visitor Q é um filme extremamente sem noção, que coisas sem sentido acontecem o tempo todo e que os personagens são forçados a agir como se tudo que acontecesse fosse natural, o que, para mim, é o mais esquisito de todos.
Não recomendo o filme para menores de 18 e nem para maiores, apesar de a nota no IMDB ter sido até mesmo razoável (6,9). De longe esse filme é um terror, nunca vou entender quem o taxou como sendo um do gênero. Mas, depois de assisti-lo, percebi que tem louco pra tudo.
Não sou de dar spoilers e não vou fazer isso nesta análise do filme, apenas digo que, se estiver achando que estou exagerando, dê uma oportunidade para Visitor Q e preste atenção nas coisas que o filme mostra. Muitas são memoráveis e nunca vão sair de sua mente (como o final).
Enfim, queria morrer vendo tudo que uma pessoa tem direito e, hoje, posso assumir que assisti ao filme mais WTF da história. Veja o trailer abaixo:

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